quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Em resposta ao amigoPikó




Com a devida vénia: a minha resposta ao eloquente
comentário do amigo Pikó ao meu artigo anterior, que reza:

                           "Quem fala assim não é gago. É patriota..." 
 Eu não sou monárquica, mas estou em vias de me tornar.
"A monarquia fez Portugal e criou um Império; a República acabou com o Império e está em vias de acabar com Portugal."
Carlos Azeredo (General) 

  ...oOo...
"Pois é amigo Leiria, isto dito assim de sopetão até poderá colher adeptos, mas quanto a mim a coisa não é assim tão simples, como diz este nosso compatriota!

Claro, que, quando se ouve um general fazer uma afirmação com este teor, a primeira coisa que nos ocorrerá é ficarmos calados, porque sempre terá sido assim, mas parece-me que as coisas não podem ficar sem resposta, ou pelo menos merecem as explicações de semelhante afirmação e o snr. general não tomou por esse caminho. Vejamos com seriedade todo este problema recorrendo à nossa História e estou à vontade, porque também sou português e gostaria imenso que tanto a Monarquia como a República tivessem sido sempre dois bons sistemas políticos para o povo português e que infelizmente não foram...

Não irei aqui recontar a História do nosso país, mas recorrendo aos factos para relembrar que a implantação da República em 1910 só aconteceu devido ao mau desempenho monárquico naquela precisa ocasião e só quero reforçar com outra ideia que é em tudo idêntica e que surge mais tarde com o 25 de Abril, que só aparece e sai vitorioso porque o regime ditatorial estava a desmoronar-se... Ou seja, "não se pode rir o roto esfarrapado do sujo mal lavado", porque os dois sistemas tiveram um mau desempenho, doa a quem doer e afirmar o contrário será incentivar guerrinhas e divisões que só atrapalham e confundem ainda mais os portugueses.

Um abraço para ti Leiria e acredita que é do coração que vos desejo tudo de bom aí para o Canadá!"

PIKÓ
...oOo...

O meu parecer: 
Obrigado Pikó pelo teu bom desejo de “tudo de bom” por cá. Quanto ao que escreves e bem, não vou aprofundar porque o desinteresse nestas coisas de ideologias políticas é o meu preferencial.

Certo é porém, que somos imperfeitos e, o pior ainda é que não o reconhecemos.

O mundo é-o também, porque essa é ordem das coisas, ou não fosse essa parte dos desígnios de Deus…? Certamente que, Ele quer que sejamos nós a escolher a opção de lutarmos, por uma perfeição mais correcta, mais justa e mais à Sua semelhança.

Biologicamente temos as nossas necessidades (needs), as quais nos inspiram, talvez pela auto-insegurança, o medo do amanhã, a valorizar desmedidamente os desejos (wants) e para tal não “se olha aos meios para se conseguirem os fins!”

Passa-se por cima de tudo e todos sem se olhar à forma (meios) como estes são feitos. Eis a razão porque os políticos ao se apanharem com o poder nas mãos: primeiro estão eles, depois eles e, mais eles, e, o resto são cantigas, mesmo que para isso tenham que vender possessões, com 500 anos de alegrias e sofrimentos de dois povos, que não são/eram deles (políticos), por uma carrada de diamantes…

Concordo plenamente que um povo não deva dominar outro mas, pela nossa saúde, não é assim que se fazem as coisas: usando a desculpa de que a colonização é/ era feia, quando na realidade, não passa ou passou, queríamos dizer, de puro e simplesmente os seus interesses pessoais.

Qual a razão realmente, de sermos tão ambiciosos quando temos uma só barriga, que se satisfaz com quase nada, um corpo que com pouco pano se cobre; um telhado que não tem que ser de ouro; carros de alta gama, quando um só chegaria; ou o poder que os cega, pensando que são donos imponentes dum povo, duma nação e aí por diante…

Aqui está nossa imperfeição, causativa do bom e do mau que nos vai grassando neste mundo de escolhos em que muitos de nós teimosamente queremos que seja o paraíso, quando na realidade é o “porta infer” da bíblia, onde a gíria teima também em confirmar que “cá se fazem cá se pagam”… a prova absoluta da imperfeição humana.

Artur

5 comentários:

TINTINAINE disse...

E quem não alinhar com Monarquia ou República que alternativa lhe resta?
Digam-me, pois eu procuro uma terceira via!

Artur/Leiria disse...

Boa pergunta, a minha politica se eu pudesse seria:
VIVER E DEIXAR VIVER...
Pagar a quem devo e quem me deve que me pague.

Logo que o "Dai a Cesar o que dele" seja justo, claro. Por nao existir o que e justo quase me obriga ser um apolitico.

Valdemar disse...

Tenho cá a impressão que a frase desse tal general... Vai mesmo ficar na história!
Valdemar Alves

eduardo maria nunes disse...

Caminhar enqunto o caminho estiver livre! Cada um deve escolher o que achar ser o melhor para si, sem esquecer os outros!
Todas as políticas são boas, desde que os políticos reconheçam quais são os direitos dos cidadãos?
Direitos que em Portugal, nestes últimos anos, aos actuais políticos passaram despercebidos.

Piko disse...

Amigo Artur:
Senti-me lisongeado com o teu artigo e fico a pensar que percebi o teu raciocínio e principalmente as tuas preocupações. De resto, vamos encontrar em qualquer sítio e lugar idênticas preocupações a começar pelos blogues...
O nosso amigo Carlos faz até uma observação que considero muito inteligente quando diz e afirma que está à procura duma 3ª via!... Acho porém e sem falsa modéstia, que existe uma única via sem precisarmos de recorrer a uma tal 3ª via!
O único grande problema é que a ética ou os princípios, que deveriam acompanhar as nossas condutas no dia a dia foram progressivamente espezinhados pelos políticos profissionais, que ardilosamente foram envenenando muitos outros portugueses com vícios que as sociedades não podem suportar eternamente... Não chega termos um sistema democrático que até poderá encaixar na República ou na Monarquia, não será esse o cerne da questão, quanto a nós... Não é admissível vivermos sem exigência e com falta de respeito uns pelos outros, como terá sido o caso neste belo país. A partir daqui e a comprovar o que dizemos vão chamar o tal FMI, mas antes não têm pejo nenhum em salvaguardar os seus privilégios, dos amigos e das famílias...
Quanto a nós, não será o facto de sermos imperfeitos, que irá obstar a bons desempenhos e temos provas de outros povos na Europa que usaram a racionalidade, que não é perfeita, mas susceptível de práticas governativas, que as diferentes classes percebem e até se revêem nelas. Se esses países democráticos têm sabido governar-se, a dificuldade só poderá ser nossa e só temos que assumir e inverter os nossos comportamentos. Será que estou errado?!
Um abraço amigo para o Artur e para o Carlos e aproveito para agradecer as palavras afectuosas que recebi do Artur!
PIKÓ