sábado, 8 de janeiro de 2011

BPN - Banco Português de Negócios

  É um fartar vilanagem!

Um dos mistérios da comunicação política é que não tem de ser factual para se tornar real.
A grande invenção está na frase "o que parece é", que faz crível o que nem é credível: a mentira e a ficção são toleradas como o sal e a pimenta na comida. "É a política, estúpido!" E o estúpido, tributado e eleitor, pergunta: e o BPN?
Nem Estado Social, nem crise de soberania, nem funções do Presidente: as eleições são marcadas pelo BPN. Porque é um ponto fraco de Cavaco e um ponto morto do Governo. Para os contribuintes, o BPN é uma bomba-relógio; para os políticos, é um relógio-bomba. Os partidos são assim: agendam escândalos para as eleições.
Cavaco não está a ser justo com a administração do BPN. Nem quer: está a defender-se, supondo que em legítima defesa, do ataque sobre o seu envolvimento naquela fraude. Está a fazer política. Porque Cavaco Presidente nunca perguntou à Caixa o que Cavaco candidato quer saber. E porque a comparação com os bancos ingleses é abusiva, por várias razões. Incluindo esta: o Estado inglês injectou milhões, o português ainda não.
Esse é o problema do Governo. Nunca disse aos portugueses, mais de dois anos depois da nacionalização, quanto lhes vai custar o banco. Nem deu uma justificação para o fracasso da privatização. O banco está em situação ilegal, precisa de aumentar o capital em 500 milhões só para ter as portas abertas. Nas suas contas há um buraco supõe-se que superior a dois mil milhões de euros de imparidades, que está a ser desmamado para sociedades-veículo, onde ficarão a ruminar durante anos para uma venda controlada de activos, como se faz com uma massa falida.
A antiga administração era da gesta PSD, a actual é da gesta PS. É isso que está em causa. Tanto que o ataque de Cavaco é feito contra o presidente do BPN, Francisco Bandeira, que tem linha socialista directa para Sócrates como tinha com Vara; e preserva o presidente da Caixa, Faria de Oliveira, social-democrata e membro da Comissão de Honra de Cavaco. Até porque há outro presidente que é recandidato: o da Caixa...
Está demonstrado que Cavaco foi usado no BPN. O seu nome foi caução moral para uma actuação de facínoras, não se percebendo por que tardou em desvincular-se. A questão que Cavaco não esclareceu quando devia foi a mais-valia das acções na SLN. Há razões para as perguntas: não eram acções cotadas em bolsa, tinham assinatura e não tinham liquidez. Como se valorizaram tanto e tão depressa? Era fácil explicar. Cavaco não quis porque é um homem sério. Claro que é. E nós, não somos?
Há ano e meio, Oliveira e Costa disse, compungido: "Ter pegado no BPN foi uma tragédia". Nessas audiências no Parlamento fomos diariamente insultados por ex-administradores e accionistas do banco: de nada sabiam, confundiram responsabilidades, citaram nomes - Joaquim Nunes, Almiro Silva, Fernando Fantasia, António Franco, Emanuel Peixoto, Ricardo Pinheiro, António José Duarte... Dias Loureiro foi uma vítima no resguardo no Conselho de Estado, Oliveira Costa nem "password" do banco tinha, Joaquim Coimbra pensava que BI (Banco Insular) era Bilhete de Identidade, Daniel Sanches, "coitado", assinou o contrato do Siresp quase sem saber; havia acções vendidas com contratos de recompra através de "offshores", manipulando a acção e os investidores, muitos dos quais, como Rui Nabeiro, foram enganados. Só Miguel Cadilhe interrompeu essa falsidade, quando recusou cumprir essas cláusulas "indemnizatórias".
O debate eleitoral é uma arena onde os políticos lutam contra as suas próprias menoridades. Mas as "tretas", como lhes chamou Cavaco, não podem fazer Portugal esquecer jamais o escândalo do BPN, a corrupção ao mais alto nível, as avenças a políticos, as comissões, assinaturas falsas, bancos inexistentes, negócios de um euro que custaram 35 milhões.
O BPN não está ser gerido, está a ser digerido. Há-de custar-nos centenas de milhões. Mas não é um caso de política, é um caso de polícia. Alguém tem de pagar. E não podem ser só os contribuintes.


Para uns é uma alegria porque mamam tudo
Para outros uma alegria é, porque no comer abusam
Todos estes que alegremente comem tudo
Deixam os outros tristes porque não comem nada

4 comentários:

Fuzo de agua doce disse...

Estamos entregues á «bicharada» e não temos em quem confiar, até aqueles que se dizem muito honestos, como é o caso em apreço, que perante as duvidas dum seu opositor nestas Presidenciais disse que os outros tinham que nascer duas vezes para serem iguais a ele em seriedade, se assim é estamos bem entregues.
Cá por mim, tenho á muito escolhido o Candidato em quem irei votar, isto se entretanto também não lhe descobrirem algum «rabo de palha» porque se assim for fico em casa, porque o voto a mim sai-me caro, como estou recenseado na Terra, e como por norma não vou lá aos Domingos, vou ter que ir lá de propósito para votar, e são cerca de 10 litros de gasolina e ela está pela hora da morte, portanto só voto sabendo que estou a votar numa Pessoa séria, quanto a votar em Partidos já dei o suficiente para esse peditório, acabou-se, (se o Padre onde me confesso soubesse que já votei no Sócrates dava-me Avé Marias e Padre Nossos de penitência até ao fim dos meus dias) e já não quero ser enganado mais nenhuma vez.

Um abraço
Virgílio

edumanes disse...

Quem tudo come também vai morrer
Quem pouco come mal vai vivendo
Os que tudo querem também vão sofrer
Com razão sa verdades vou dizendo.

Já não sei em quem acreditar
Com tantos malandros a mentirem
Passámos muitos anos a trabalhar
Para nossos netos orgulho sentirem.

Neste mundo da exploração
É o pobre quem paga tudo
Quem mando não tem coração
Espreita povo por um canudo.

Valdemar disse...

Se o Jogo não fosse viciado e os Candidatos que não são apoiados pelos Partidos tivessem e deveriam ter o mesmo direitos dos outros, os oito e tal por cento que dão oa Doutor Fernando Nobre já tinham dobrado.
Porque será que o Nobre tem de Pagar IVA com as depsesas da Campanha e os outros Alegre e Cavaco não?
Porque podem Cavaco e Alegre recebe apoios de Firmas para as suas Campnhas via Partidos e a Candidatura de Nobre não.
Sejam quais forem os resultados eleitorais eles jamais irão conseguir fazer o que vinham fazendo.
a Candidatura do Fernando Nobre está-lhe a fazer arder os calcanhares.
Sabes Virigilio eles podem lançar as calúnias agora que quizerem, mas ninguém dúvida da seriedade do Presidente da AMI e do seu passado de seriedade.
Até ao lavar dos Cestos é vindima.
Fui várias vezes daqui a Lisboa votar. Se fosse o caso iria de novo.
Gosto de dormir descansado com a minha consciência.
Como homem de causas e não de casos. Acredito convictamente nesta causa.
Eu vou votar Doutor Fernando Nobre.

Valdemar disse...

Para mim e para muitos outros fora do país... ATÉ QUE A LEI DO ARRENDAMENTO NÃO SEJA ALTERADA NEM VOTOS NEM REMESSAS!
Valdemar Alves