sábado, 11 de dezembro de 2010

O que Camões diria aos nossos políticos de hoje…

O que diria Luís Vaz de Camões, ou o que os poetas do povo
 poderiam escrever caso fossem um Gil Vicente?
As primeiras 4 estrofes aplicam-se a todos os políticos.

I

As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo aquilo que lhes dá na gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se de quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!

II

E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas…
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!

III

Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano…
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.

IV

E vós, ninfas do Coura onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!
...oOo...
Um poema da "mente", só/mente!
Há um Ministro que mente...
Mente de corpo e alma, completa/mente.
E mente de modo tão pungente
Que a gente acha que ele mente, sincera/mente.
Mas mente, sobretudo, impune/mente...
Indecente/mente.
E mente tão habitual/mente, tão hábil/mente,
Que acha que, história afora, enquanto mente,
Nos vai enganar eterna/mente.

2 comentários:

Observador disse...

Assino por baixo, o mais triste é que parece que não há volta a dar, armadilharam o poder de tal maneira, que vai ser muito complicado dar a volta á situação em que colocaram o País, os mais novos não têm nenhuma perspectiva de futuro, e os mais velhos vivem com o credo na boca, á espera que o «edifício» acabe por desmoronar completamente.
Um abraço
Virgílio

Tintinaine disse...

Não há dúvida!
Há gente com jeito para as rimas!
Parabéns, muitos parabéns.