domingo, 23 de outubro de 2011

Um imprevisto previsível

Imaginar as dores que causa na sua passagem atraves do rim da ureter e uretra 
Não sei se aquando do nosso encontro em Alcobaça vos tinha dito que indesejavelmente passei a ser proprietário duma pedreira algures nas minhas vias urinárias, ou antes nos meus rins para ser mais conciso?
Tenho a mania e ousadia de pensar que o caruncho não vai entrar assim de qualquer maneira no cabedal cá do rapaz… redondamente enganado! Oh se estava!?
Armei-me em carapau de corrida ou de potro folgazão, se quiserem, e vai de pegar numa picareta e arrancar à ganância uns arbustos tipo silva (sem espinhos) que tinha por detrás da casa entre o terraço e o muro/vedação de estrema, debaixo de um calor quase tórrido (que o nosso agradabilíssimo e generoso Setembro nos vai presenteando), causando-me uma transpiração depauperante a qual se fazia sentir, mais ainda, toda a vez que a pica ia abaixo!
O corpo a dizer-me:
 - Bebe água para te hidratares rapaz, e eu, obediente como só um bom “fuzo” o sabe ser, tragava-a forte e feio a todo o momento! Se tragava!
Nem mais! Este imbróglio impróprio para um jovem de 68 aninhos vai foçar as pedras que, como numa enxurrada sejam deslocadas a toda força rins abaixo que só Deus e quem as tem é que sabe as dores inerentes a tal maleita.
E eu sei-o, porque dolorosamente foi esta a apoquentação do terceiro episódio que vou gramando nos últimos dez anos.
Sou por natureza contra os medicamentos convencionais os quais combatem ou antes supressão os sintomas com a agravante de intoxicarem o nosso corpinho, com a nocividade ainda de muitos efeitos negativos secundários.
Contudo, não tive outra hipótese ao ter ido ao médico, de aceitar de bom agrado os 8 medicamentos receitados incluindo supositórios que cá o senhor doutor de trás rejeitou de imediato.
As dores continuavam de rachar! Bebi líquidos de toda a espécie, andei, saltitei, dancei e corri; tentando sempre o máximo de trepidação para obrigar as “coriscas” (à Agostinho Maduro) a se deslocarem do uréter para a bexiga. No chuveiro fazia exercícios de toda a espécie, também, debaixo dum jacto forte de água bem quente a incidir sobre a área dorida e, nada.
Chamo o médico no dia seguinte à noite a contar o fracasso, perguntou-me se estava a usar os supositórios e como o meu doutor é fino, disse que não, que os rejeitava.
- É pena, diz ele, mas venha cá que eu dou-lhe uma injecção e leva mais uns medicamentos. Tantos como: só mais 4, e haja saúde que remédios não faltam.
Claro, tudo bem, logo não se morra da cura porque da doença que traz a morte ninguém escapa.
Durante a noite, senti que a pedra causadora da cólica se deslocou para a bexiga suprimindo assim a dor de imediato. No entanto não sei o que se passa porque nunca notei ter esta passado na uretra, por isso penso que nunca a mijei, falando bem e...   
   - Agora tudo bem, pensarão vocês.
- Ah, ah, ‘querias’, devagar aí, porque não vos disse ainda que no primeiro dia da visita médica fui à “ Leiria downtown” sacar uma ‘ecografia’ que escarrapacha nas chapas: tantas como 14 no total…! E esta hein?
Brevemente cá neste ‘há cá nada’ vão ser partidas, raios me partam, com raios de lazer e mandá-las às malvas porque ninguém as quer comprar.
Eis a digníssima razão porque a minha disposição habita agora na rua da amargura das pedras da praça da pedreira.
Por agora, de lamúria vai chegando.
Tenho dito.                                 
   

4 comentários:

edumanes disse...

Tens dito e pelo que contas, também, muito tens sofrido.
Bom dia amigo Artur (Leiria). Quanto à tua saúde não te vou perguntar como estás porque fiquei a saber através da leitura que acabei de efectuar ao teu muito bem explicativo texto, onde o humor também não falta.
Amigo Artur, o que interessa agora é que essa tua "pedreira", passe ao normal funcionamento de elaboração.
Desejo para ti, para tua mulher e restante família um bom domingo. Cuida-te amigo.
Até ao próximo convívio!
Um abraço
Eduardo.

virgilio disse...

Amigo Leiria
A minha ligação com as pedras ou cálculos como pomposamente lhes chamam os Médicos, foi breve talvez 24 horas mas nesse breve periodo fui três vezes ao Hospital de Cascais, portanto sei bem do elas são capazes, mas tenho um Filho que tem passado as passas do Algarve, já foi operado duas ou três vezes, para lhe as retirarem, já fez ultra sons várias vezes, já lhe fizeram furos junto as rins para as retirarem, desde á muitos anos que tem sofrido bastante, neste momento tem várias á espera provavelmente de mais uma cirurgia, pois uma já foi partida com ultra sons mas não vai sair normalmente.
Espero que as consigas mijar, que apesar do desconforto ainda é a melhor maneira de te veres livre delas.
Quanto a medicamentos o meu Filho bebe um xarope de origem Espanhola chamado "Resolutivo Regium", e ultimamente compra Gengibre e faz chá, que lhe alivia as dores.
As melhoras
Um abraço
Virgílio

TINTINAINE disse...

Só à terceira é que foi de vez!
De manhã vi que havia publicação no blog, mas ia a meio de outra coisa e adiei para mais tarde.
Ao fim da tarde abri o blog e ia começar a ler quando ouvi que tinha começado o jogo do Porto e, esperando que os Deuses me fossem propícios e me oferecessem uma derrota ao Porto, larguei tudo e fui plantar-me em frente da televisão.
Agora, no sossego da noite lá consegui ler tudo (mesmo com interrupção de uns largos minutos para atender uma chamada do Verde) e posso comentar.
Sempre tive umas ligeiras dores de rins e na última radiografia que fiz foi o seguinte o comentário do meu médico:
- Tu não tens pedra nos rins, mas tens tanta areia miudinha que isto parece mais uma praia que uma pedreira.
- E isso é bom ou é mau, perguntei eu.
- Mais bom que mau. E não precisas de remédio nenhum para curar isso, pois tens em casa tudo que é preciso para te livrares disso.
- E o que é doutor?
- Água, muita água. Bebe quanta puderes e não precisas de cá voltar que as areias desaarecem sem dares por isso.
Devo ser um gajo com sorte, pois nunca mais tive dores e já lá vão uns 10 anitos. Tenho bebido alguns litros de água, não tanta como o médico aconselhou, mas alguma e calibrada com alguns litros de vinho, pois assim como assim o vinho que bebemos é 90% água e sabe um pouco melhor.
E, tal como o Virgílio, tenho um filho que tem sofrido com as malvadas das pedras. Já fez um tratamento por duas vezes no Hospital de S.João do Porto que consiste em «partir pedra» à martelada (como ele gosta de dizer) e que imagino tratar-se dos ultra-sons de que fala o Virgílio. As pedras são reduzidas a pó e saem pela uretra sem problema nenhum e sem dor. O problema é que estraçalham o rim ao serem partidas e põem-me o rapaz a mijar sangue durante uma semana.
Espero que consigas uma solução não muito dolorosa para o teu problema, porque não podes fugir dele.
Um abraço!

Artur Sousa (Leiria) disse...

Obrigado pelas dicas, gente boa. Serão sempre bem-vindas.
Venham mais que eu não me zangarei.
Saúde radiante para todos.